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quarta-feira, 15 de julho de 2009

TEMPO ( ZARÁ TEMPO )

TUDO SOBRE O CANDOMBLÉ VITOR DE UMBARÁ É OMOJUBÁ MOTUMBÁ MEU PAI

Eu não sei fazer outra coisa a não ser viver pro SANTO MOTUMBÁ MEU PAI ...






Quatro é o número da Terra; quatro foram os dias que Olorum levou para criar o mundo; a cada dia, Olorum criou quatro Odus – num total de 16; quatro são as estações do ano: verão, inverno, outono e primavera; quatro são os elementais da natureza: fogo, água, terra e ar. Ligado a este numero quatro, está o Orixá Tempo – de origem Angola e Congo – semelhante ao Iroko, da Nação Ketu e a Loko, de Nação Jeje.
Tempo é o senhor das estações do ano; regente das mutações climáticas. Pai da maionga, o banho da Nação Angola.
Tempo está sempre em movimento, entre uma e outra extremidade dos pólos. Ora está em Exu – equilíbrio negativo do Universo – oras está em Oxalá – equilíbrio positivo do Universo – ora intermediário entre um e outro pólo. Tempo é equilíbrio e desequilíbrio, ao mesmo tempo. Ele é o segundo, o minuto, a hora.
Nas casa de Angola, Tempo é reverenciado com o Pai da Maionga, do banho, que vai purificar o corpo dos seguidores e iniciados no culto, no momento de maior energia, e vibração deste Inkice (Orixá). Momento, também, de maior purificação, feita através do banho com ervas, água do mar, de cachoeira, de rio, de mina e de chuva, etc.
Tempo está ligado ao meio ambiente, pois qualquer choque ambiental tem a sua regência. Ligado intimamente aos quatros elementais da Natureza, Tempo viaja por todos eles, num movimento constante, alterando infinitamente o tempo. Sem esse movimento, viveríamos o mesmo segundo sempre, melhor, “sempre” não existiria. Com o tempo parado, não poderia existir vida de nenhuma espécie. A este Orixá, também chamado de Kitêmbo, foi designado e controle do ambiente, a passagem dos segundo, minutos e horas, dando sentindo aos dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos e milênios. Ele é o próprio nome: Tempo.
Tempo (Kitêmbo) rege as estações do ano, como já disse. Ele é o responsável pela passagem de um a para outra. Está ligado ao frio, ao calor, à seca, às tempestades, ao ambiente pesado e ao ambiente agradável;
Tempo é o outono: período de mudança das plantas, dos ventos fortes, do clima meio nublado, sem beleza, mas de fundamental importância para o surgimento de um novo ciclo de vida.
Tempo é inverno: período de frio, chuvas permanentes, ambiente gelado e úmido.
Tempo é verão: período de forte calor, de sol escaldante, de seca, de estiagem.
Tempo é primavera: período da beleza das plantas, do nascimento e do desabrochar das flores, do clima agradável, do frio gostoso e do sol morno, sadio; período em que a Natureza é mais colorida e talvez mais bela de ser ver.
Tempo é o passeio por todas essas estações. Ele se encanta na mudança brusca de clima, do popular: “ sol e chuva, casamento de viúva”. Tempo é a mudança radical e a mudança proporcional do clima.
Kitêmbo é a escala do tempo, por isso sua ferramenta é uma escada, em referencia ao crescimento do tempo em nossa volta. É a energia em constante deslocamento nos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Viaja pelos quatro, constantemente, sem parar. E nem poderia!


Mitologia

Os Angolas e os Congos, que cultuam os antepassados, contam uma historia sobre esse Inkice (Orixá). Relatam que ele era um homem muito agitado, que resolvia varias coisas ao mesmo tempo e que realiza varias tarefas de uma só vez.
Reclamava, entretanto, que o dia era muito pequeno e que não conseguia realizar tudo aquilo que desejava, nos prazos estabelecidos por ele mesmo. Reclamava demais. Cobrava de Zambi (Oxalá nas nações Angola e Congo) ter nascido lento e incapaz de realizar tudo o que pretendia, mesmo que, na realidade, fosse um homem forte, veloz, astuto e competente. Mesmo assim, não se considerava capacitado para realizar seus objetivos e acusava Zambi de ter feito o dia muito pequeno.
Um dia, Zambi lhe disse:
- Você e muito afoito. Parece que errei em sua criação, pois você não se conforma com o eu feito.
E ele retrucou a Zambi:
- Não tenho culpa se o Senhor, Pai, fez o dia tão pequeno. As horas são tão miúdas que não dá tempo para realizar tudo aquilo que planejo!
E Zambi, aborrecido, mas admirado pela coragem do seu filho, determinou então:
- Já que você considera que o tempo é pequeno, passará, então, a controlá-lo e administrando o verão, o inverno, o outono e a primavera. Andará, então, pelo fogo, pela água, pela terra e pelo ar. Não terá, mas problemas de tempo. Será, então conhecido com Tempo e regerá os movimentos da Natureza.
E, na terra, o povo clama o seu Inkice entoando a cantiga:

“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para trabalhar...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para comer...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para beber...
“ E Tempo Zará... e Tempo Zará Tempo ô!
E Tempo para viver...”


AXÉS COM ORIXÁ IROCO E TEMPO

Mo jubá.
Quando relaciono aqui AXÉS COM ORIXÁ IROCO E TEMPO,
tenho como finalidade colocar a seu dispor ferramentas diversas para você receber, dar, na realidade manipular esta energia. São dicas das mais diversas na linha de orações, ebós, obrigações, agrados, simpatias, muitas destas manipulações são tão antigas como o pó da estrada,outras são frutos da evolução humana, espiritual e claro folclórica. Tradicional.
Não significa que são ebós para você vencer em todos os obstáculos que temos que enfrentar na estrada da vida ao longo de seu percurso, mas com certeza lhe darão animo, força e determinação.
Fortalecendo o seu modo de pensar significa você sair de uma situação estagnada seja qual for e partir para uma situação que julga ser melhor, isto em todos os campos. Através da conquista do espaço desejado.
Pode ser uma viagem que não se concretize. Um namoro complicado, um amante que não se decide. Uma venda que não se efetue, bem...as
DICAS
estão abaixo.
Desejo que você tenha discernimento para fazer a escolha, não apenas da ferramenta a usar, mas principalmente quanto a necessidade do uso.
Quem sabe não tem aqui uma receita especial para o seu caso?


=ACASSÁ

-CANGICA BRANCA-
-FOLHA DE BANANEIRA-
-ALGUIDAR DE BARRO-
-VELA MARROM OU BRANCA-
Deixa-se o milho branco com água em alguidar novo.
Sem qualquer resíduo até amolecer,ralando-se depois.
Passa-se numa peneira fina ficando ao cabo de algum tempo a massa no fundo do vaso , Isto pronto escoa-se a água , deitando-se a massa no fogo , com outra água , até cozinhar em ponto grosso,retirando-se com uma colher de madeira pequenas porções que são envolvidas em folhas de bananeira depois de rápido aquecimento no fogo.-

=BOBÓ

-
AIPIM .
-CAMARÕES SECO.
-CEBOLA SECA.
-TEMPERO VERDE.
-AZEITE-DE-DENDÊ.
-FOLHAS DE LORO.
Sua feitura é bem simples.
-Pega-se aipim limpo e descascado.
-Corta-se em pedaços pequenos.
-Leva-se ao fogo para cozinhar.
-Quando estiver mole amassa-se.
-Deixa-se que a água vá escorrendo.
-Junta-se camarões secos,descascados e moídos.
-Adiciona-se a cebola seca picada,salsa e cebolinha.
-Mistura-se bem e deixa-se cozinhar um pouco com azeite-de-dendê.
-Obtém-se então uma espécie de pure,que deve ser servido em tigela branca e enfeitado com folhas de loro.


=BUENGUÊ

Cozinhar cangica branca e quando estiver amolecida adoçar com mel . Servir em tigela branca.

=EFÓ

- Língua-de-vaca-
- Cebola seca-
- Pimenta malagueta seca-
- Camarões seco -
- Sal -
- Azeite-de-dendê -
Corta-se a erva conhecida por " língua de vaca " ou mostarda, pondo ao fogo para ferver com pouca água , feito isto escoa-se e coloca-se de novo na mesma vasilha com cebola , pimenta-malagueta seca , camarões secos e sal . Botar azeite-de-dendê depois de tudo ralado.

=EJÁ FUNFUN

- Peixe-
- Limão -
-Coentro -
- Alho-
-Cebola seca-
-Cheiro verde -
-Azeite docê -
-Óleo de urucum-
-Tomate-
Tempere postas de peixe de água doce com sal , suco de limão e alho espremido. Reserve por pelo menos 1 hora.Em uma panela , refogue cebola , óleo de urucum e duas colheres de azeite doce. Reserve.Numa panela de barro untada, com uma colher de azeite, forre a metade da medida da cebola refogada com óleo de urucum e o azeite , metade de tomate picado. Acrescente as postas de peixe sem coloca-las uma por cima da outra. Cubra o restante com cebola refogada e com o tomate e acrescente o coentro e sal a gosto. Leve a panela tampada ao fogo aproximadamente 25 minutos.
Sacudindo de quando em vez para não grudar os Ingredientes.-

=JACICOU

-Camarão-
-Cebola seca-
-Coentro-
-Tomate-
-Pimentão verde,vermelho e amarelo-
-Sal-
-Azeite-de-dendê-
-Arroz-
-Farinha de trigo-
Cozinha-se camarão com todos os temperos, isto é ,cebola , coentro ,tomate , pimentão , sal e azeite . Quando amolecer e estiver caldo grosso , com o auxilio do machucador , esmaga-se o camarão .Mistura-se com arroz cozido e farinha de goma até os dedos ficarem limpos .
Forma-se bolos que são fritos de preferencia no azeite-de- dendê .

=QUIZIBU

-MILHO VERDE DEBULHADO-
-QUIABO-
-TORRESMO-
-CARNE DE SOL-
-VELA MARROM-
Debulha-se o milho verde e mistura o quiabos temperados com bom torresmo colocando-os a cozinhar até formarem uma papa.Para acompanhar este prato carne de sol passada nas brasas.

=ZORÓ

- Camarão -
- Ervas[ língua-de-vaca ]
- Azeite-de-dendê -
- Salsa -
- Coentro -
- Cebola -
- Cebolinha -
- Pimenta malagueta -
Ensopa-se o camarão com ervas. Temperar com azeite-de-dendê , salsa ,coentro , cebola ,cebolinha , e pimenta , tudo bem ralado .-

Um comentário:

  1. Diz-se os mais velhos da Nação Angola-Congo que apesar de possuir suas comidas próprias, o Inkice Nzara Kitembo "come" de todas as comidas votivas dos inkices. No decorrer das cerimônias religiosas punhados dessas comidas serão depositadas aos pés da sua árvore santuário, em uma clara alusão a simbologia atribuída ao próprio tempo, que a tudo devora. A importância atribuída ao Inkice Nzara Kitembo (ou simplesmente Tempo) pelos seguidores das tradições religiosas bantus no Brasil pode ser observada através da sua liturgia, a começar pelo banho lustral dos iniciados (maionga), que ritualmente deve ser realizado a céu aberto, como forma de se rogar a proteção deste inkice, considerado o Pai da Maionga. Durante sua celebração anual no dia dez do mês de agosto, onde há a ocorrência de fortes ventos, os fies aglomeram-se em torno da árvore santuário portanto nas mãos morins brancos. Que passam pelo corpo e amarram em seus galhos, pedindo principalmente por saúde. Os festejos à Tempo anunciam a celebração da cerimônia da kukuana, que ao contrário do olubajé dos nagôs, rememora passagens mitológicas que envolvem Nzara Kitembo e seu filho mítico Nsumbu.
    Devido a inconstância dos fenômenos climáticos atmosféricos diz-se que Kitembo é um inveterado beberão, alegoria que esse Inkice reproduz durante sua coreografia na dança sagrada.
    Entre seus símbolos estão: a bandeira branca, a grelha, o fogareiro de ferro, a escada e representações dos corpos celestes.
    Outrora foi associado ou sincretizado ao Mártir São Lourenço.
    Entre os animais que lhes são consagrados destaca-se o peru.
    Das são suas comidas votivas podemos destacar: a pipoca, as farofas, bebidas de forte teor alcoólico e carnes grelhadas.

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